Jenna Peij se destacou no mercado de moda internacional ao trazer um discurso raro no meio: o das condições reais de trabalho das modelos. Modelo e influenciadora belga, ela acumula colaborações com marcas de grande consumo enquanto documenta, especialmente através do podcast Histórias de Mulheres, as áreas obscuras de uma indústria que continua amplamente opaca em suas práticas contratuais e ritmos de trabalho.
Condições de trabalho no mundo da moda: o que revela o testemunho de Jenna Peij
O podcast Histórias de Mulheres, transmitido no final de dezembro de 2025 no Spotify e Ausha, dedica um episódio de dezesseis minutos a Jenna Peij sob o título “Modelo: o lado oculto da profissão!”. A conversa, conduzida por sua mãe Yvana Creaco, aborda de forma direta a polêmica em torno da magreza e os julgamentos enfrentados na profissão.
Esse formato levanta uma questão metodológica para quem analisa o setor: um testemunho pessoal não substitui uma investigação setorial. Jenna Peij descreve sua própria trajetória, seus castings, a pressão sobre a aparência. Mas ela não cita dados numéricos sobre a remuneração média das modelos, nem um quadro regulatório preciso.
O valor desse tipo de fala reside em outro lugar. Ela documenta uma experiência situada, a de uma modelo internacional que trabalha entre a Bélgica e outros mercados europeus, e que aceita falar publicamente sobre isso. Em um setor onde a maioria das modelos assina cláusulas de confidencialidade com suas agências, a fala direta é a exceção, não a norma.
Para aprofundar a trajetória dessa modelo, a carreira de Jenna Peij no Mode Sign traça os passos-chave de sua ascensão na moda.

Perfil de modelo e book de agência: analisar as fichas de modelo de Jenna Peij
Os perfis de agência constituem a principal ferramenta de trabalho de uma modelo. Eles padronizam as medidas de acordo com um formato internacional: altura, busto, cintura, quadris, sapatos, olhos. Esses dados permitem que os diretores de casting filtrem as candidaturas antes mesmo de um encontro físico.
A ficha de Jenna Peij, como a encontramos nas plataformas de scouting e de agência, segue esse esquema clássico. Observamos que esse tipo de perfil cumpre uma função comercial acima de tudo: é uma ferramenta de venda, não um retrato.
- As medidas exibidas são declarativas e raramente verificadas por um terceiro independente, o que deixa uma margem de ajuste comum no meio
- O book fotográfico associado ao perfil é selecionado pela agência, não pela modelo, o que orienta a percepção do “tipo” de modelo oferecido ao mercado
- Plataformas como model-scouting.com agregam essas fichas sem auditá-las, o que dificulta qualquer comparação objetiva entre modelos
Essa mecânica explica por que a trajetória real de uma modelo frequentemente diverge de seu perfil online. A ficha de agência é um documento de marketing, não um currículo verificado.
Instagram como segundo book
A conta Instagram de Jenna Peij funciona como uma extensão de seu book de agência, mas com um controle editorial que ela domina mais. As modelos de sua geração usam o Instagram para mostrar uma imagem mais pessoal, o que cria um duplo padrão: o perfil da agência permanece normatizado, enquanto o feed social constrói uma narrativa de marca pessoal.
Essa dualidade se tornou um critério de casting por si só. As marcas agora avaliam a audiência social tanto quanto as medidas físicas ao selecionar suas modelos para campanhas.
Precariedade no mundo da moda: entre discurso e realidade verificável
Jenna Peij se apresenta como uma voz autêntica sobre as dificuldades da profissão. O podcast menciona explicitamente “o lado oculto da profissão” e a pressão relacionada aos padrões físicos. Essa fala se insere em um movimento mais amplo onde modelos mulheres documentam publicamente os disfuncionamentos da indústria da moda.
O problema metodológico permanece. As afirmações sobre a precariedade no mundo da moda são recorrentes na mídia, mas os dados consolidados continuam escassos. Nenhuma fonte no contexto disponível fornece estatísticas sobre rendimentos, durações de contrato ou taxas de renovação das modelos em agência.
- A existência do episódio do podcast e sua data de transmissão (dezembro de 2025) são confirmadas no Spotify e Ausha
- O posicionamento de Jenna Peij como “modelo internacional” é coerente com sua presença em plataformas de scouting europeias
O testemunho de Jenna Peij tem um valor documental, não estatístico. Ele ilustra uma trajetória individual sem permitir generalizações sobre as condições de trabalho de todas as modelos.

Modelo e influenciadora: o modelo híbrido de Jenna Peij na moda
A trajetória de Jenna Peij ilustra uma transição estrutural da profissão de modelo para um papel híbrido. Ela se insere em uma lógica de conteúdo patrocinado onde a modelo se torna prescritora de produtos.
Esse modelo híbrido modelo-influenciadora modifica a relação com as agências. A modelo que gera conteúdo social negocia de forma diferente suas colaborações, pois o valor agregado não reside mais apenas na pose, mas na capacidade de engajar uma comunidade.
Jenna Peij encarna essa transição. Sua abordagem, qualificada como “feminilidade moderna, verdadeira e assumida” na descrição do podcast, corresponde a um posicionamento de marca pessoal mais do que a um simples perfil de casting. A moda agora integra essa dimensão em seus critérios de seleção, redefinindo o que significa ser uma modelo prodígio além dos simples desfiles de alta costura.
A trajetória de Jenna Peij mostra que a visibilidade midiática de uma modelo se constrói hoje em vários canais simultâneos. A ficha de agência, o feed do Instagram, o podcast e as parcerias de marca formam um ecossistema onde cada elemento reforça os outros. A carreira de uma modelo agora é lida como um portfólio de presenças, não como uma simples lista de desfiles.



